O Paradoxo da Tolerância e as Eleições de 2018

Voltando ao tema da tolerância, obviamente por causa do clima político no Brasil. O filósofo Karl Popper https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Karl_Popper formulou a noção do “paradoxo da tolerância”, segundo o qual “liberdade em excesso leva ao fim da liberdade, tolerância em excesso leva ao fim da tolerância”.
É justamente o principal problema de Jair Bolsonaro e seu séquito de “homens de bem”. Ao radicalizar o discurso e se achar no direito de dizer quem é ser humano e quem não é, qual religião deve ser estimulada e qual não, qual orientação sexual é aceitável etc, incorre no vício do fascismo e da intolerância, que são venenos sociais e não têm lugar em um mundo naturalmente diverso e multifacetado. A ideologia de Bolsonaro, também paradoxalmente (porque autoproclamada a defensora dos “valores conservadores”) é antinatural, porque busca a preservação de padrões artificiais, impostos historicamente na base da força, violência e desrespeito. Não por acaso, as mesmas “armas” (trocadilho involuntário) da religião, do patriarcado e da noção de “raças”.
Por sorte, Bolsonaro jamais será eleito presidente, porque as mulheres não permitirão. Embora ele tenha votos entre elas, a grande maioria sabe do que se trata ser mulher em uma sociedade como a nossa e não irão permitir que um padrão que já é reproduzido clandestinamente no dia a dia passe a ser a norma, legitimada pelo voto.
Bolsonaro morrerá pela própria boca no processo, afogado no seu próprio ódio. Porque se ele acha que sua filha foi uma “fraquejada”, é porque não sabe que as mulheres entendem perfeitamente que votar nele é que seria, e elas não vão entregar a paçoca pro opressor assim, não. Nunca.

Enquanto houver mulheres no mundo, Jair Bolsonaro não será presidente do Brasil. Nem em um milhão de anos. Pode ter certeza.