Fake News pra presidente?

(Texto originalmente publicado no Facebook)

Hoje, aqui no Facebook, vi uma publicação de um “amigo” (daqueles bem da onça mesmo, devidamente excluído ao final do processo) sobre um “filho do Lula que estava tirando sarro dos brasileiros”. Era um vídeo requentado de um cara dirigindo e falando groselha que havia viralizado na época da greve dos caminhoneiros, o cara não era filho do Lula. Postei um comentário dizendo isso e provando que era falso. Meu “amigo” apagou (o comentário, não o post). Perguntei, ele respondeu: “sim, e vou apagar esse também.”

Ontem também aconteceu. Em uma publicação de uma “amiga” (prima) outro fake news com um Photoshop tosco da Manuela d’Avilla e uma camiseta falsa com os dizeres “Jesus é travesti”. Quando mostrei, a pessoa veio falar do Lula (que nem era o assunto). Não apagou, não admitiu. Levou pro lado da ofensa pessoal.
Essas eleições foram marcadas pela irracionalidade e ódio apenas. Muitos dos apoiadores do Bolsonaro não têm interesse algum em melhoria, combate à corrupção e muito menos pudor algum em mentir, caluniar e destruir quem quer que se apresente como opositor. Não importa o preço. Não tem nada a ver com a busca de um país melhor, mais justo ou honesto. É apenas truculência, cegueira e o mais absoluto fascismo. Verdade é o que concorda comigo, mentira é o que não. Se você mostra tudo o que Haddad fez como ministro e prefeito, não serve pra nada. Se inventa que ele disse que após os seis anos a criança pertence ao Estado e que inventou o tal “kit gay”” (outra fake news), tome “cidadão de bem” compartilhando no Facebook e WhatsApp, cheio de ódio, a baba escorrendo pelo canto da boca.
O vencedor dessa eleição, como o do Brexit e das eleições dos EUA não é uma pessoa ou uma ideologia. É uma prática milenar que atingiu rapidez e alcance nunca vistas, graças à internet, seus algarismos e bolhas. Ganhou até um nome em inglês, “fake news”. Mas trata-se mesmo da boa e velha MENTIRA. Aquela que os cristãos antigamente diziam ser “filha do diabo” e que hoje muitos deles passam o dia espalhando pelos grupos, redes e afins. A pós-verdade de Sygmunt Balman está aí, elegendo “mitos”, matando argumentos e disseminando o ódio.

“Brasil melhor” assim, só se for no WhatsApp…