Ou vai ou vai

Há uma frase atribuída a Rumi que diz que “à medida que você começa a andar no caminho, o caminho aparece”. Sempre gostei desta ideia, não sei se por acreditar na afirmação em si ou por seu otimismo. O fato é que, desde que comecei este blog, os pensamentos que me estimularam a fazê-lo paracem ter minguado, como se eu mesmo colocasse impedimentos ou censurasse o que tenho a dizer.

É estranho, porque em geral escrevia no Facebook e na maioria das vezes de uma vez só, em poucos minutos. Basicamente publicava um “textão” e só depois de um tempo exposto na timeline que me preocupava em saber se ele precisava de alguma edição, correção ortográfica e que tais. A própria razão de ter começado aqui foi ter muita coisa que eu gostaria de registrar e poucos recursos para fazê-lo. Era coisa que eu achava relevante que lá não caberia, era meio que óbvio migrar este tipo de texto para cá.

Acontece que a partir de então, me.veio aquele clássico bloqueio criativo. Não que eu seja particularmente talentoso para isso ou o que eu tenha a dizer seja algo importante, mas o próprio processo de escrever sobre qualquer coisa que seja se tornou um parto, um negócio difícil de verdade. Naturalmente, passei a investigar de onde isso vem.

Talvez tenha a ver com o fato de que se estar emocionalmente envolvido com algo faz com que as ideias fluam mais naturalmente. A forma como uso o Facebook já possibilita isso: sigo muitas agências de notícias de alguns países, diversas vertentes ideológicas e espirituais. Muitas vezes acompanho de perto algum político que não gosto justamente para ter mais base para combatê-lo. Além disso, tento driblar o tal “algoritmo do Facebook” que acaba meio que moldando a timeline das pessoas ao que elas querem ver e faz com que sua percepção dos fatos fique cada vez mais parecida com suas crenças e não o processo natural, que seria justamente o contrário: opiniões e convicções devem partir de uma análise que seja a mais completa possível do que acontece, a partir da qual posições e parcialidades tem mais fundamento e menos chance de ser apenas barulho, tentativa de chamar a atenção por si só. Então, naquela plataforma, era ler algo e postar em seguida, no calor do momento.

Aqui, pelo menos até agora, o processo é diferente. Eu já começo me impondo a obrigação: “preciso escrever algo no blog”. Não sei de onde surge essa imposição, mas ela é limitante. Ao por na cabeça que “preciso” escrever, qualquer ideia que surgiria naturalmente e poderia perfeitamente servir de entretenimento para quem gosta de ler e vem aqui por isso simplesmente desaparece, escapa igual água entre os dedos. Além de eu muitas vezes me meter a usar “tempo livre” para isso (leia-se quando não tenho algo melhor pra fazer, o que reduz o blog à pura encheção de linguiça, praticamente um “tricô mental”). Escrever é tempo ativo, não livre.

Um exemplo é este mesmo texto: comecei a escrevê-lo porque tive uma aula cancelada de última hora, pensei que seria uma boa forma de usar o tempo que ganhei até a próxima e me sentei com o computador para dizer algo. Já se foram alguns parágrafos, eu só enrolei até aqui e não disse coisa com coisa que prestasse. Pior que eu sei disso. Você que está aqui comigo agora provavelmente já notou que está chato, arrastado, vazio. Meus textos costumam ser mais nervosos, mais emocionados. Pelo lado bom, posso te dizer que você está acompanhando uma pessoa em uma busca sincera por inspiração, lutando dignamente contra seu cérebro embotado e preguiçoso, negligente de qualquer colaboração. A má notícia é que cada vez mais me convenço que tenho que estar muito puto, muito feliz ou muito magoado para escrever. Qualquer emoção serve, a falta delas é que não.

20180223_112702
Fui solenemente expulso da sala

Daí me veio à mente que uma coisa que me chama muito à atenção sobre se expressar criativamente é o fato de que sem raiva, tesão, amor, revolta, libido, inconformismo, inquietude, desilusão e outros sentimentos e emoções intensos, muito pouca coisa pode ser dita ou feita. Nietzsche dizia que “é preciso ter o caos dentro de si para dar à luz uma estrela dançante”. Uma versão mais acessível é “porque ninguém começa uma história com ‘…outro dia eu estava tomando leite e…'”. O verbo vem da ira, o “causo” engraçado do bar vem do álcool. Faz todo o sentido.

Entendo que eu esteja em uma fase de transição (sempre estamos, mas algumas vezes ela fica mais nítida). Não mais bebo ou uso qualquer substância “estupefaciante”, passei a encarar a espiritualidade de uma forma mais intuitiva do que dogmática e muitos valores que defendi hoje me parecem pálidos, fracos, sem razão de ser. Metamorfose ambulante, salve Raulzito! Não que isso tenha me anestesiado emocionalmente ou brutalizado, pelo contrário: minha percepção está mais aguçada, minha saúde melhor e meu ego tem sido cada vez mais fácil de educar. Apenas acho que ainda tenho que aprender mais sobre quais estímulos valem a pena seguir e quais não, quanto barulho estou disposto a manipular e quanto do meu próprio nonsense eu já tenho consciência.

Essa zona nebulosa faz com que, ao mesmo tempo em que goste que as pessoas venham ler meus textos pelo simples prazer que elas têm nisso, eu sinta que escrever só para dar satisfação é um negócio meio pedante, meio babaca. Só pra dizer que tem um blog com um número “x” de textos, “y” de visitas e “z” de elogios. Vários amig@s dizem que gostam do que escrevo, mas saber usar as palavras é completamente inútil quando não se tem o que dizer. Gosto de ao menos ter a ilusão de que meus textos são relevantes para alguém, de alguma forma. Nesses termos, não consigo sentir isso.

Este texto que você está lendo não é nada além de um esforço em sair da inércia, “por o blog para andar”, buscar inspiração lá no fundo do cérebro e acreditar na máxima do primeiro parágrafo: …o caminho aparece”. Não apareceu até aqui, mas no próximo texto a gente vê o que dá, continuo acreditando.

Por hora, vai ficar mais na intenção do “exorcismo” mesmo, de sacudir a poeira deste blog, de voltar aqui. Sabe no futebol, quando o atacante fica um tempo sem marcar e depois mete um gol de canela, todo feio, mas que serve pra “tirar a zica”? Então, este texto é isso. Que desbloqueie, solte, flua, ande. Assim é.

“Não importa o quanto você vá devagar desde que não pare.” – Confúcio

Ode ao madrugador

Não posso dizer que escolhi a madrugada como habitat. Fui escolhido por ela, na verdade. Sou daqueles que não precisa de muitas horas de sono pra estar inteiro no dia seguinte. Se conseguir seis horas bem dormidas já fico bem. Reflexos, raciocínios e metabolismo em perfeitas condições. Entendo que sou um espírito habitando uma carapaça temporariamente e que é meu trabalho garantir a preservação e o bom funcionamento dela, pra que minha mente (ponte entre espírito e corpo) possa estar em boas condições e trabalhe a meu favor, não contra mim. Quisera eu ter essa noção antes, mas não tinha. Já era, estraguei meu organismo durante anos com química e pensamentos tóxicos. Algumas coisas dá pra recuperar, outras reverter e outras melhorar. Mas há também aquilo que é preciso aceitar e se render, dá pra aprender muita coisa fazendo isso. Recomendo.

Gilda, rainha da madrugada

Acontece que qualidade de sono é artigo raro, aparentemente. Tenho a impressão que depois da adolescência (quando eu mesmo dormia até meio dia facilmente) as pessoas dormem cada vez menos e pior. Cigarro, álcool e medicamentos influenciam também, agridem e desequilibram. Outro dia estava lendo sobre os short sleepers, pessoas que dormem quatro, cinco horas por noite e conseguem estar inteiros, fully functional pela manhã. Cada vez mais me vejo e aceito ser um deles. Talvez por herança dos genes do meu pai, que é sempre o último a ir dormir e o primeiro a estar acordado. A diferença é que ele bebe quantidades carnavalescas de cerveja e fuma bagaraio, e eu abandonei o uso de substâncias “estupefaciantes” (como diria o Luiz Thunderbird) há tempos. Cigarro há dez anos, bebida alcoólica há três. O corpo se acostuma tanto com agressões quanto com a falta delas.

Me lembro bem do que chamo de “sono de bêbado”. Não é um sono propriamente, é uma espécie de desmaio, de desligamento. O ritual é sempre o mesmo: seu corpo parece estar obedecendo e seu raciocínio parece que presta para alguma coisa, mas na verdade você está a beira de um colapso total. Continua agindo quando já parou de pensar, fala cada vez mais mole e cada vez mais merda. Sua “conversa” consiste em um monte de trocas dos sons das palavras e cuspes na cara do seu interlocutor. Na sua cabeça você é bonito, sábio, rico e interessante. Na realidade já passou de “mala” pra “container” faz tempo. Vai deteriorando até que acaba a cerveja, a paciência de alguém, o evento ou a noite e é inevitável: sua fuga da realidade acabou e você precisa dormir. Com sorte não cometeu crime algum e sua liberdade não será tolhida, não dessa vez. Quando a cama que está rodando pelo quarto passa pela sua frente, você cai nela. De jeans, de chapéu, fumando, seja lá como for. Um trapo sujo no chão do banheiro do boteco tem mais dignidade que você. Ronca e baba por umas duas horas, deixando o recinto com aquele cheiro azedo dos gases gerados por essa bomba química em que se tornou. Daí acorda de repente. Olhos arregalados, sono impossível. Não estava dormindo, na verdade. Seu cérebro apenas desligou seu sistema por um tempo pra evitar que você morresse, não é lindo? Ele mesmo não parou, continuou funcionando a um milhão por hora. Por isso o sono de bêbado não é reparador, não descansa. Você acorda de ressaca, prometendo nunca mais beber, tentando sobreviver àquela segunda-feira dia de Exu e fingindo que não está esperando a próxima oportunidade de chapar o glóbulo novamente, fugir de si mesmo novamente, ficar lindo e rico e sábio novamente. Pois é, já estive lá, como se diz em inglês. Been there, done that.

Já foi dito que “o preço da liberdade é a eterna vigilância“. Conheço bastante gente que tem uma relação saudável com bebida e consegue conciliar seus afazeres com ela, mas quanto mais penso nessa coisa de dependência química mais tenho a impressão que é uma questão de se conhecer, de saber quais limites você consegue esticar e quais decisões precisa tomar. O limite muda, o prazer ilude, o corpo tenta se impor e tomar a mente pra si. Esta já é preguiçosa e influenciável, se deixa levar facilmente. E a espiral descendente começa, arrastando consistentemente, às gargalhadas. Álcool é uma droga socialmente aceita e comercialmente estimulada, o que a torna especialmente perigosa. Todo mundo tem medo das “drogas”, mas quando conta histórias de dependência geralmente é sobre aquele parente alcoólatra que estraga a própria vida e a dos outros. Há um documentário interessante no YouTube sobre o assunto, chama-se Terapia Psicodélica. Recomendo também. Eye-opener.

Ao parar de beber, de cara perdi peso, deixei de roncar e passei a dormir bem melhor. Após três anos o peso se manteve (dez quilos a menos) e o ronco apneico sumiu definitivamente, mas o sono voltou a ficar esquisito. Idealmente durmo das onze às cinco. Seis horas. Se fosse simples assim, estaria ótimo. Só que pouco depois das três da manhã acordo, muitas vezes no mesmo horário exato. Daí que vem: é incrível como meus pensamentos são diferentes dos que costumo ter durante o dia. Imagino que isso tenha a ver com processos químicos do organismo mesmo, afinal o sono tem uma função importante de reparação e organização. Quando o processo é interrompido, é inevitável que haja espaços vazios, pontas soltas, fendas abertas.

Nessas fendas que eu caio. Por vezes presto atenção na cara que a madrugada tem em SP: algumas luzes coloridas, pálidas e tristes. O barulho de uma moto ao longe, sirenes de vez em quando, cachorros latindo, a noite onde as sombras prevalecem, os instintos e os apetites são outros, bem outros. A polaridade se inverte: as plantas sujam o ar ao invés de limpar, o dinheiro cuidado com zelo durante o dia passa a correr atrás do prazer, os corpos se procuram, a beleza e a virtude assumem outros nomes, formas e lógicas. É o negativo da foto, a luz tem outra função. Yin, não Yang.

Fora assim como dentro, em cima como embaixo. Os processos mentais também são bem diferentes no meio da noite. Medos mais profundos, reações mais dramáticas, minutos mais longos. Muitas vezes vem à tona aqueles pensamentos que não temos coragem de confessar para nossa própria alma. Somos monstros, poetas e santos nessa hora. Somos todos aqueles pensamentos e nenhum deles também. Quando a manhã chega e a luz retoma o controle, o que parecia tão intenso e definitivo se esvai, mingua até cair no território dos sonhos e fantasias, aquele mundo onde não sabemos distinguir o que foi vivido do que foi apenas imaginado. E a gente volta a assumir aquela persona que parece mais aceitável: a de gente normal, funcional e respeitável, produzindo para o bem da sociedade. O típico cidadão de bem, seja lá o que for isso. Até vir a próxima madrugada e seus fantasmas a assombrar novamente, mostrando que toda solidão é relativa, todo medo é uma forma de esperança e que quanto mais intensa a luz, mais nítida a sombra que ela projeta.

A madrugada é dona de uma das coisas mais importantes que existem em todos os mundos, em todos os tempos e para além das palavras, gestos e formas. Tudo o que é criado começa nele e só existe porque nossa mente precária precisa de sons e formas para tentar entender o que experimenta. Tudo o que vem dele é redução, simplificação, diminuição e representa apenas debilmente o que é de fato: o silêncio. Todo o barulho que existe é apenas uma imitação dele, uma tentativa irremediavelmente frustrada de reproduzi-lo.

Há um conto Zen de um simples diálogo entre um discípulo e seu professor que ilustra bem isso:

“-Mestre, qual é o primeiro princípio do Zen?”
“-Se eu te disser, ele passa a ser o segundo princípio.”

Tenho a impressão que é no silêncio da madrugada que está toda a sua força. Sou seu aprendiz, já não luto mais. Se passar o dia seguinte bocejando e à base de café, é o preço. Está muito bem pago.

Pessoas invisíveis

Logo cedo fui passar por uma porta giratória de um grande condomínio de escritórios e um senhor dos seus sessenta anos estava limpando os vidros. Notou minha distração por eu estar com a cara enfiada no celular feito os vários zumbis do Walking Dead em que se transformou caminhar por SP, percebeu o que eu faria e disse: “Bom dia! O senhor vai por ali por favor?”, apontando para uma outra porta de vidro que estava escancarada, logo atrás da tela do meu telefone. Foi quem primeiro falou comigo hoje na rua. Uniforme puído herdado de alguém, gestual rápido e determinado de trabalhador atarefado e olhos cansados de quem faz aquilo todo dia, o dia todo. Ao entrar no prédio, os mesmos bouncers de sempre: ternos pretos com ombreiras estilo anos 80, walkie-talkies e sua linguagem de QRA´s, QAP´s e QRU´s. Não entendo esses códigos, TKS por não me ensinar. Recepcionistas com uniformes iguais, rostos diferentes e frases prontas, ensaiadas e repetidas o dia todo. Contas para pagar, desrespeitos para tolerar, sapos e mais sapos para engolir. Mais do mesmo.

Subo até o nono andar. Não tenho um crachá para cruzar a porta travada da empresa dos USA, land of the free and home of the brave. Uma faxineira magra e simpática aperta o passo até mim, para que eu não espere muito. “Vou abrir pra você, professor. Quer café?”. Quero, quero muito. Nunca quis tanto, na verdade. A noite mal dormida provoca bocejos, olhos vermelhos e corpo arqueado. Cafeína transforma essa forma decadente em Mun-Rá, o de vida eterna. Salvo pela senhorinha do café, como muitas vezes em muitos lugares.

Tenho o privilégio de ser visto pelos invisíveis. Os pintados de cinza, azul ou preto. Monocromáticos, monossilábicos, monofásicos. Aqueles que em inglês a gente diz que são “taken for granted“. É como se fossem parte da paisagem. O chão está limpo, as luzes todas acesas, os equipamentos funcionando.  Nem parece que sem eles nada acontece. Acendem luzes, consertam defeitos, limpam espaços, destravam portas, fazem café, carregam peso, intermediam encontros, organizam filas, controlam acesso, repõem materiais. Invariavelmente dentro de roupas discretas, foscas, escuras, pra que fiquem mais invisíveis ainda. Aprendem a olhar de baixo pra cima, ou guardam seus olhares para quando não correm o risco de cruzar com os dos outros. Sempre olham e sempre veem, no entanto. Estão em outra frequência.

Cresci em ambientes e situações nos quais eles não estão soterrados sob seus crachás e tergais. Aquele porteiro preto que não recebe de volta metade dos “bons dias” que profere é também o cara que resolve no futebol de várzea no domingo, por exemplo. Pessoas vão até o campo só pra vê-lo. O futebol é uma linguagem. Suas qualificações, origem ou cor servem para nada diante do domínio debochado dos espaços e tempos que um cara desses tem. Você “não acha nem pra bater”, como se diz. Vai levar um chapéu, um rolinho. Vai levar gols e provavelmente perder o jogo. Ali ele exerce sua plenitude, sua vingança. Só restam duas alternativas: bater palma ou ir brincar de outra coisa. Da mesma forma, a pessoa que limpa os banheiros é o esteio de uma associação comunitária ou religiosa. É o pastor daquela igrejinha humilde que, a despeito do uso torto que alguns fazem de religião, conforta almas machucadas e salva vidas de pessoas tão invisíveis quanto ele. Ou a tiazinha da cozinha de uniforme azul e branco e cabelo preso, mãe de santo da Umbanda que atende de graça os que procuram conforto naquela fé, ela mesma tão discriminada e incompreendida pelos mesmos motivos: por ser preta, por ser brasileira, por ser humilde. E o pessoal do samba? E os que levam o sopão e agasalho pros que estão na rua, sem abrigo, comida e dignidade? Acima de tudo, os que suportam as humilhações e más-vontades cotidianas só para conseguir manter suas famílias com o mínimo de proteção e perspectiva (o que já é um feito quase que milagroso para tanta gente).

Muitas vezes, esperando por alguém atrasado ou por causa de um compromisso cancelado qualquer, fico observando essas pessoas trabalhar. O que me impressiona é o contraste. Não muito mais perceptível que uma porta automática em um contexto, eixo dos acontecimentos em outro. Excluído de um “bom dia” de segunda à sexta, Sol do sábado e domingo. Essas pessoas são as que fazem o mundo andar. São as que criam, nutrem, ensinam, preservam, acreditam, compram, se submetem. Todo e qualquer governo que se arroga o direito de existir deveria ser para elas. E se você acha piegas ou clichê o que estou dizendo, é muito provável que esteja certo. Quando alguém se propõe a escrever textos públicos corre o risco de ficar sem assunto, falar besteira e errar a mão no que escreve. Risco calculado, “ossos do ofício”. Mesmo assim, faça uma experiência: olhe para essas pessoas no rosto, “na bolinha do olho”. Perceba o quanto de você há nelas. Sinta a alma que existe atrás da expressão mecânica, alugada, social. É o que se busca expressar com um cumprimento usado na Ásia e que é normalmente associado ao Yoga, mas que na verdade é apenas uma questão de respeito no convívio: as mãos espalmadas postas à frente do peito com os dedos para cima mostrando o todo, o ligeiro curvar pra frente e a saudação opcionalmente falada que acompanha o gesto: “saúdo-te”. Namaste.

Sua atenção tem o poder de salvar o dia de alguém. Algumas vezes muda o curso de uma vida. Ou de duas, três e muitas mais, se você se permitir.

Bom dia, boa tarde, boa noite!